segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Entrevista em duas partes ao Megaphone Cultural

Entrevistão dividido em duas edições concedido ao portal e jornal Megaphone Cultural e conduzida por Tony Monteiro.
Sempre um prazer ser entrevistado por ele, que além de tudo é um brother in arms das guitarras.

PS - Pelo fato de algumas partes haverem sido editadas para caberem na diagramação do jornal, sinto-me na obrigação de colar no fim desse post minha resposta completa sobre o fim do Pedra.
É um fato que envolve parceiros e faço questão de colocar a resposta completa "ípsis líteris" enviada ao portal.
Grato ao Tony e ao Portal pela matéria. Foi um prazer.

Links para as edições digitais
https://issuu.com/megaphonecultural/docs/megaphone_57
https://issuu.com/megaphonecultural/docs/megaphone_59_-_23_de_setembro_de_20

OU
Clique nas fotos para ler a matéria.










Aqui a resposta completa:

Após lançar o terceiro disco, “Fuzuê” (2015), o Pedra surpreendeu ao anunciar que estava encerrando atividades. Por que isso aconteceu?
Como já disse, um fim de banda tem várias razões que vão se sobrepondo e cada um tem as suas. Da minha parte duas coisas foram preponderantes.
Primeiro uma divisão nítida de intenções musicais que nos dividiu em dois blocos. Eu via e vejo um mundo pegando fogo e queria que a banda fosse mais intensa em responder à isso e algumas das faixas, que acabaram nem entrando no álbum, me pareciam apenas preencher um espaço, encheção de linguiça. Algo que nos ensaios, aos poucos, parecia querer começar a tomar espaço na banda. Uma música, às vezes de gaveta, com uma letra que vinha cobrindo por cima, algo que eu sempre fui intensamente crítico. Aquela letrinha que "não compromete" jogada em cima. Eu quero que comprometa. Eu sou extremamente autocrítico e ainda que eu faça algo ruim, ele tem de ser tão ruim que você odeie mas jamais algo que "não comprometa". Aquele "tá bom assim". Isso me irrita e frustra. A banda vinha se arrastando nesse disco numa atmosfera morna e chata. Eu e o Rodrigo começamos a nem compor juntos mais há tempos. Ele trazia as coisas dele, as vezes com letra de terceiros (o que não era um problema pois tivemos grandes parceiros como o Cezinha de Mercês e o Tom Hardt e Osmar Santos Jr), mas começavam a pintar letras de um universo que além de não ser o que eu acreditava, não eram nem do universo ou atmosfera em que o Pedra habitava ou do rumo ou "norte" que eu via que a banda deveria ter em um álbum chamado Fuzuê! em meio a um mundo pegando fogo. Não é questão de ser bom ou ruim mas de ser ou não ser Pedra. Na minha visão e na do Ivan não eram. Isso não deveria ser um problema já que eu mesmo tive várias músicas que não cabiam na banda e não entraram em álbuns. Não há nenhuma paz, que lancei agora era uma música que deveria ter sido lançada em 2012 solo, minha que não cabia no Pedra e eu a retirei da pauta. Furos nos sapatos também era solo mas cabia e entrou no Fuzuê!. Nem tudo entra em um álbum. That's life.
Sendo assim, a banda nitidamente caminhava para uma divisão de intenções artísticas, algo que acontece e eu tenho um tremendo carinho pelo Hid e admiração pelo seu talento mas musicalmente mudamos nossas sintonias dentro desse período. Eu gosto de frisar até para pessoas as quais eu venho a tocar ou não, que além de ter de haver química, às vezes essa química apenas não está lá naquele momento e em outro é genial. Enfim... a banda se dividiu. Eu e o Ivan queríamos um rumo, eles outro e o Luiz a meu ver já estava fora da banda há tempos, apenas não verbalizava. Todo mundo estava insatisfeito mas a carga de trabalho, que é o próximo caso ficava comigo.
Em segundo lugar a falta de pró atividade dos companheiros nos últimos anos. Seja derivativa do cansaço natural, da batalha insalubre que é ter uma banda autoral ou de convívio intenso e desgastando, uma empresa tem de funcionar ou fechar.
Nos últimos anos eu passava centenas de horas gravando, mixando, compondo, filmando, editando videos de shows longos com dezenas de câmeras e milhares de imagens, trancado por meses dentro do estúdio e via a banda se distanciando, cada um correndo atrás de suas gigs e projetos e o Pedra perdendo a prioridade na vida deles, só que a empresa não estava fechada, o trabalho tinha de ser feito e eu era o único que não tinha o direito, mesmo que quisesse, de parar o trem. Porque se eu parasse de trabalhar, a banda simplesmente parava sem avanço algum. Isso foi assim desde o começo. Normal, toda a banda tem um cara assim, quando tem dois é sensacional, com três é estouro de sucesso. kkk
Claro que houveram alguns momentos de maior envolvimento conjunto nas tarefas da banda mas 90% caiu em mim, sempre.
A cada encontro eu via que havia ficado 100/200 horas trabalhando e via os outros mais envolvidos nas gigs da noite, resgates de bandas anteriores e sem interesse em buscar soluções para marcar shows ou qualquer outra atividade que somassem à banda. Os últimos anos foram extremamente frustrantes e nocivos à mim. A única coisa que me manteria na banda para continuar trabalhando naquela intensidade seria ter a autonomia de filmar e gravar um álbum ao vivo com um best of dos 10 anos e produzir um EP com 6 músicas novas na sequência disso mas com o direcionamento artístico que eu acreditava ser nosso melhor caminho já que eu era o único que "executivamente" produziria, assim como produzi e banquei por 10 anos a estrutura e ainda funcionava 25 horas por dia Pedra e artisticamente compus perto de 60% das músicas e 70% das letras.

O resultado nós sabemos. A banda já estava dividida. Eu e Ivan Scartezini mantivemos a parceria e estamos tocando juntos e preparando novos trabalhos. Luiz Domingues está envolvido em seus projetos e Rodrigo Hid nos dele. Apesar de ser triste ver o filho "Pedra" encerrado, as músicas, o que importa, estão aí. Serão ouvidas e continuarão a ser tocadas ao vivo. O fim foi algo triste mas de certa forma em uma reunião tranquila, rápida e que também trouxe uma grande sensação de alivio.
Inicialmente eu e o Ivan iríamos tentar remontar a banda mas eu realmente não tenho vontade de arrastar uma banda trabalhando como um obstinado, como o parça Marcelo Mancha as vezes me chama e eu concordo que sou. Se eu estou envolvido, sou um workaholic.
É claro que existem somas de motivos, existem visões diferentes e eu não sou santo ou demônio mas os motivos aqui colocados são os mais honestos e verdadeiros
Desejo toda sorte aos projetos dos dois.

2 comentários:

  1. Grande Xando Zupo , esperamos sim mais um otimo trabalho seu, parabens pela entrevista muito desconstraida e cheia de conteudo que todo musico gostaria de ler,acredito que seu novo trabalho trara novidades para o nosso cenario do rock and roll , tentarei de coraçao estar no seu proximo show no Sesc , e mais uma vez obrigado pela dica da ponte Floyd Rose, ficou (10) na guitar, abs
    VazzCacio-The Clavion.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Valeu, man. Muito obrigado.
      Fico feliz que tenha te ajudado com a ponte.
      Gde abço

      Excluir