segunda-feira, 12 de julho de 2021

"Big Balls Vol1" faz 25 anos e resgata faixa inédita

É após tocar minha guitarra junto ao disco inteiro do Big Balls que inicio essas linhas para falar sobre esse "resgate" ou lançamento inédito da banda, nascida em 88 e hibernada em 2001. 

Nesse ano, 2021, com características as quais nunca esperamos ver ou viver mas esperamos sim, sobreviver já se passaram vinte e cinco anos desde que aquela encarnação da banda gravou o único álbum, propriamente dito, Vol 1, para a East West/Warner no Mosh estúdios.

Naquele momento, 1996, a banda existia há oito anos e muita gente que eu considero extremamente talentosa havia já vestido a camisa e gritado esse papo de "culhões", como o nome exige, e ainda que a inspiração tenha sido uma faixa do AC/DC, acabou por abraçar essa ideia que pode soar machista para os padrões atuais mas definia e mais que nunca define muito bem o que é necessário para navegar esses mares do Rock Brasuca, contra tudo o que era esperado de nós, então tão jovens, quando empunhamos um instrumento pela primeira vez. Toda essa galera só queria uma coisa, viver e de preferência à mil por hora. Rock'n Roll, palco, volume, festa, botar pra fora aos berros o que amava e também o que odiava. Os dias eram assim.
Os anos de 1994 e 1995 haviam sido anos de reconstrução da banda, que eu iniciei em 1988 paralelamente à minha participação no Harppia (quem não conhece, procure saber sobre uma das bandas pioneiras de Heavy Metal brasileiro). Após alguns anos de Big Balls tocando covers de Hard Rock pela noite e com uma fita demo de 4 músicas lançada em 1989 era hora de reformular e aproveitar o primeiro estúdio que montei, para ensaios, na aclimação em SP e minha primeira "máquina" de gravação, um Tascam K7 de 4 pistas. Para isso o Big Balls tinha de deixar de ser a banda onde eu desopilava o fígado, ou destruía-o; enquanto navegava no Harppia e na Patrulha do Espaço onde gravei o LP Primus Inter Pares em 1992; e passar então a ser a minha banda principal e autoral.

A primeira tentativa desse plano, assim que montei o estúdio em 94, foi com 3 antigos companheiros que se misturavam entre o Big Balls e o Nexus 6 nos anos anteriores. Rogério Fernandes, Renato Panda Gonçalves e José Luiz Rapolli. Como absolutamente toda banda que se inicia ou reinicia, nunca ou raramente a primeira formação se mantém, sempre vai se peneirando até que se estabeleça um time. Essa peneira em casos como esse onde todos já se conhecem e sabem de suas capacidades tem relação com o momento da vida de cada um (disponibilidade, foco no mesmo objetivo, vontade de fazer) e o primeiro a não ficar foi o Rogério Fernandes, que estava em outros projetos (creio que já envolvido no início do Noni Brothers, banda a qual tocou por vários anos junto a grandes músicos e amigos).


    Big Balls Julho 1995 Centro Cultural Vergueiro SP  Ackua / Xando Zupo / Pedro Crispi / Alex Soares

A partir desse momento o movimento que levou o Big Balls a frente se inicia. O retorno do Ackua aos vocais da banda é um capítulo especial nessa história já que além de ter sido o primeiro vocalista, ter feito inúmeros shows entre 88 e 90, gravado a até então única demo tape nossa, havia sido nos 80's um tremendo companheiro de sons, sonhos, composições e baladas intermináveis pela noite paulistana. O retorno dele, sendo um cara que sempre esteve envolvido em composições, além de termos uma enorme afinidade de influências no Hard Rock 70's e 80's foi um tremendo impulso para desenvolvermos nos meses seguintes provavelmente uma dúzia de músicas novas, várias delas lançadas em nossa segunda Demo Tape, com capinha contendo fotos e informações, distribuída e vendida em shows que fizemos durante esse período, então já com Pedro Crispi no baixo e Alex Soares na bateria, ambos os quais tiveram papel também fundamental no desenvolvimento desse material. Três das músicas que foram gravadas no álbum no ano seguinte já com os vocais de Paulo de Tharso (R.I.P.), foram lapidadas e reescritas, mas vieram diretamente dos ensaios nesse período onde as canções ainda eram em inglês.

Não vou nesse texto discorrer por todo o processo de gravação ou a história da banda, penso que já falei bastante sobre o tema pelo site/blog e em alguns vídeos e entrevistas, vamos à canção.
"Hora de dizer adeus", originalmente "Hora da gente se cruzar" era, ou melhor é, uma canção do Ackua que nos apresentou-a em violão e foi arranjada pela banda durante a transição de repertório em inglês para português e durante as últimas semanas dele nos vocais do Big Balls. Um dos "blues" mais legais daqueles temas que ele trazia acústicos, (coloco Blues entre aspas pois a vejo muito mais como fruto das influências R&B do Ackua do que um blues raiz. Be My Woman, gravada em meu disco "I Got My Own World To Live" é outro bom exemplo dessas composições nascidas a partir do violão dele).
Vale um adendo à esse texto de que esse lançamento aqui do site trata-se de uma "memorabília", curiosidade e um fato inusitado da história da banda já que provavelmente haverão as duas versões da música. Ackua está preparando um Blues álbum onde oficialmente a canção em seu formato original deverá ser gravada e lançada.

Sendo assim teremos a história de uma música que não só possui letras diferentes, mas temas antagônicos (entre o "Olá" do Ackua e o "Adeus" de Tharso), entre a leveza das letras pop nas quais o Ackua trafega tão bem e a densidade e dramaticidade onde Paulo de Tharso nadava de braçada. Inacreditavelmente serão os dois (no caso da versão lançada aqui pelo Big Balls) parceiros acidentais temperando essa faixa, sem nunca terem se encontrado para esse fim ou ao menos falado sobre o tema.
Ocorre que quando Ackua deixou a banda já estávamos em tratativas com a Ralf produções para um possível álbum via Wea East West e distribuição da Continental, ainda que tivéssemos o nome do Paulo como uma grande possibilidade de agregar letras e a dramaticidade, que particularmente eu sempre busco, Ralf nos propôs que fizéssemos dois dias de testes com possíveis nomes para ocupar o posto e sendo assim uma fita K7 com 2 ou 3 das faixas em que estávamos trabalhando nos ensaios em meu estúdio foi enviada aos cantores que escolhemos e achávamos que poderiam ocupar o posto.
Vale dizer que o Paulo e eu já havíamos trabalhado juntos 2 anos antes em um "Alter Ego" do Big Balls chamado "Bagus Plenus" (referência que retirei do livro "Os Carbonários" de Alfredo Sirkys), de onde veio também uma das faixas gravadas no álbum do Big Balls, "A Arma e a Flôr", e naquele momento em que ele ainda cantava na banda "A Casa Caiu" desenvolvemos esse trabalho que começou como acústico e se transformou em banda ao agregar Norton Lagôa no Baixo e Fernando Rapolli na bateria, já que não haviam condições para que ele entrasse no Big Balls e eu ainda estava na Patrulha do Espaço, sendo assim é claro que havia um elemento a mais nessa possível vinda dele para o Big Balls, ainda assim fizemos as audições de coração e ouvidos abertos para vários grandes cantores que só foram contatados por serem claramente talentosos mas uma banda carece de algo acima ainda do talento, a química. Grandes bandas com músicos magníficos naufragaram pelo excesso de informação e falta de química.
Voltando ao tema, Paulo recebeu a fita K7 e agiu como as boas histórias acontecem...colocou seu tempero. Não só apareceu e cantou maravilhosamente mas surgiu com outras letras disparando por cima das canções que estávamos trabalhando. Claro que ele sabia bem o que estava fazendo e em sua mistura de ego (na acepção sadia do termo) e respeito, havia nos perguntado dias antes se poderia mexer um pouco nas letras para o teste e é claro, é óbvio que eu permiti, afinal sabia de quem se tratava e que viriam coisas sensacionais dali.
Sendo assim chegamos à "Hora de Dizer Adeus" naquela tarde de outubro de 1995 no estúdio do Fábio Cirello da banda Rock Memory e essa é uma das fitas remasterizadas para esse momento de 25 anos do álbum. Nosso amigo e um dos grande produtores Brasucas Nando Vieira remasterizou duas versões achadas em K7 no meu baú. A primeira é exatamente o dia das audições e por isso Paulo diz seu nome antes de cantar, para que quando ouvissem as fitas na produtora soubessem quem era o cantor. A segunda versão já é uma pré produção, também ao vivo, no estúdio Bom Som, do amigo Burú, e além de ter um áudio melhor preservado, conta com o Paulo já totalmente agregado ao time e a banda tocando mais desenvolta uma faixa que críamos que iria para o álbum.
Infelizmente não aconteceu assim. Coisas da vida e do Rock.
Existem duas outras faixas no álbum assinadas em parceria com o Ackua, (Balacobaco e O Anel de Zapata), porém essa faixa em questão naquele momento não teve o aceite do Ackua para que fosse gravada com a letra do Paulo pois ele tinha a intenção de gravá-la com a letra original e a queria guardar para esse fim, ao mesmo tempo nós estávamos com a nova versão totalmente agregada ao material que seria gravado e à vibe do álbum, sendo assim, a deixamos de lado.
Confesso que foi bastante frustrante não gravá-la, poderia ter sido uma das grandes faixas do álbum mas sempre compreendi a posição do Ackua, afinal é uma filha direta dele, ainda que, aqui, arranjada pelo Big Balls.
Agradeço do fundo do coração ao Ackua por ter autorizado esse "resgate e memorabília" da história do Big Balls, por poder apresentar essa faixa às pessoas que acompanharam a banda naqueles tempos e que acompanham de alguma forma meus trabalhos durante todos esses anos, especialmente por poder trazer à tona a voz e interpretação nitidamente à flor da pele de um grande amigo e companheiro da música que estará eternizado enquanto houverem ouvidos para as canções, Paulo de Tharso (D.E.P.).
Big Balls em novembro de 2021 completaria 33 anos, completa agora 25 do lançamento do álbum e vive eterno no meu coração, lembranças, histórias e quem sabe, como tudo que se rega nunca morre...

A Hora de Dizer Adeus pode ser também A Hora da gente se Cruzar.
Boa audição.

  


           

                                            


Big Balls Novembro 1995 -  Paulo de Tharso / Xando Zupo / Pedro Crispi / Alex Soares


Abaixo, as duas versões em vídeo e links do Soundcloud (Em Breve) para baixar o mp3 para quem quiser.
Espalhem, amigos. Espalhem a canção por aí. Música é feita para se ouvir.
Muito Obrigado. Longa vida a todos. Cuidem-se bem.


Versão 1 - Outubro de 1995 - Estúdio do Rock Memory - Teste e audição e, na minha opinião, a versão mais intensa da banda.

Estreia - 13/07/2021 - Youtube 23:45

 

Versão 2 - Novembro de 1995 - Estúdio Bom Som (Burú) - Aqui a banda já mais ensaiada e uma pequena mudança na letra (de "Fico sozinho com o universo inteiro" para "Fico sozinho com esse nó no peito", eu prefiro "com o universo inteiro"), mas de testes e improvisos de letra que o Paulo mudava na hora. O áudio desta versão é superior ao do dia do teste e menos chiado.

Estreia - 14/07/2021 - Youtube 00:00hs






A Hora de Dizer Adeus (Marco "Ackua" Calomino / Paulo de Tharso)

Por onde o amor passou deixou uma longa trilha de corações partidos
Onde os heróis também são os bandidos e todos saem feridos
A vida escreve peças de teatro.
No último ato cada macaco no seu galho.
Já é hora de dizer adeus. De cada um seguir na paz de Deus.
Eu vou levar aquelas velhas poesias, esvaziar o peito e a garrafa de whisky.
Eu sei que eu vou sentir saudades dos teus braços e vou levar as raivas feitas de cansaço.
Fico sozinho com o universo inteiro (com esse nó no peito **)
Escuto em silêncio o grito desse meu tormento
Já é hora de dizer adeus. De cada um seguir na paz de Deus.
Ficam pra trás as sensações inúteis, paixões violentas, amores intensos.
Todas as coisas que dizem eternamente. As orações escritas nas portas dos banheiros.
Eu sei a quem avia o infinito, eu sei a quem deseje o impossível.
Já é hora de dizer adeus. De cada um seguir na paz de Deus.





segunda-feira, 21 de junho de 2021

25 anos do álbum Big Balls

Nos 25 anos do Álbum "Big Balls", vem aí duas versões de uma faixa inédita direto do baú e dos ensaios de pré produção + post no site contando essa história toda.

14/07/2021. Se inscreva no YouTube e fique ligado. 


sexta-feira, 30 de abril de 2021

Big Balls & Pedra News

Um pequeno mas feliz anúncio aos frequentadores da pág e das canções que espalho por aí.
Sei que ando totalmente ausente mas durante esse período nefasto que atravessamos decidi só aparecer por aqui quando houvesse algo real e atual a dividir e hoje é o caso.
Um pequeno anúncio. Em breve, mais especificamente em algum momento até 14 de julho, sim 14, haverão dois lançamentos.
Um é referente ao Pedra e um (na verdade dois) referentes ao Big Balls.
Tratam-se de materiais inéditos até hoje.
Como alguns sabem, o álbum do Big Balls completa 25 anos esse ano, infelizmente a pandemia "atrasou" alguns planos e por hora continuarão no ar... porém não havia como deixar de marcar essa data de alguma maneira e também homenageando dois membros importantíssimos na história da banda, Marco Ackua Calomino e Paulo de Tharso.
Também material inédito do Pedra surgirá com a eterna colaboração visual do nosso parceiro Diogo Oliveira.
Todo esse material está nas mãos do competentíssimo produtor Nando Vieira. Nando Vieira - produtor musical
More of that....later.
Cuidem-se muito bem. Sobrevivam. Elevem o pensamento e vibrações. Toda paz e luz aos que partiram e conforto aos que ficaram.
Isso vai passar,
Abs
Nos falamos em breve.

Big Balls / Pedra 


 

Um pequeno mas feliz anúncio aos frequentadores da pág e das canções que espalho por aí. Sei que ando totalmente ausente...

Publicado por Xando Zupo em Quarta-feira, 28 de abril de 2021

sábado, 30 de janeiro de 2021

10 min de Curto Circuito em 1986.

10 min de Curto Circuito em 12/10/1986 no Colégio Alcântara Machado.
O Curto iniciou atividades em fim de 1983 com ensaios no porão da casa do Caio, baixista, onde em um espaço apertado entre várias caixas 45/60, médios baterias de tweeter de um P.A., o qual ele alugava para eventos e festivais de colégios, ensaiávamos horas e horas todos os finais de semana. A banda durou até 1987 e fizemos...imagino eu bem mais de uma centena de shows nesse período. Esse é o único registro da banda ao vivo em vídeo. No mês seguinte eu entraria para o Harppia e no ano seguinte o Curto encerrou atividades.
Foi um dos períodos, claro que foi (afinal foi entre meus 15 e 19 anos de idade), mais legais e memoráveis. A vida era apenas e literalmente S.D.R.R. os dias eram mais vagarosos e dava pra fazer muiiitas coisas.
Um detalhe técnico que após o momento Blackmoriano de esfregar a guitarra pelo amp e chão, o "nut" Capotraste trincou então cordas soltas ficaram desafinadas durante Smoke...mas o volume compensou. kkkk
Mais um detalhe técnico é que tem Chorus enchendo o saco.
Como o Daniel Kid bem diz...nos anos 80 até a Tv vinha com chorus.
Um registro legal de uma época muito legal.
Enjoy...
Curto Circuito:
Tazé - Otávio Neves - Vocal
Xando Zupo - Guitarra
Caio Alab - Baixo
Montanha - Antonio Montanheiro - Bateria #xandozupo #rockbrazuca #RockSP #rockbrasil #rockbrazil







sábado, 19 de dezembro de 2020

Homenagem, agradecimento e tristeza pela partida do grande amigo e um dos maiores técnicos de som do país.

Homenagem, agradecimento e tristeza pela partida do grande amigo e um dos maiores técnicos de som do país.
O Rock, a música brasileira e o planeta ficam muito mais vazios sem o amigo Renato Sprada
Em nome do Big Balls e do Pedra agradecemos antes de tudo pela amizade, dedicação e tantos momentos, absolutamente todos, de alegria e prazer da sua companhia.
O álbum do Big Balls, que jamais teria acontecido sem você e inúmeros shows.
Da minha parte, décadas de amizade, shows, vinis espalhados pelo chão e tantos sons que conheci através de você.
Vá em paz, na luz e nas ondas sonoras, Renato.
Aqui ficaremos com inúmeras histórias para alimentar nosso coração.
Espero vê-lo em outros mundos rodeado das ondas sonoras que tanto alimentaram nossas almas nessa passagem.
See you, my brother.
bj
Xando Zupo / Grace Lagôa / Big Balls / Pedra



    Renato Sprada show Pedra 2013 - Sesc Belenzinho



                            Renato Sprada / Xando Zupo - Show Big Balls - Broadway SP 1996


 Paulo de Tharso (R.I.P.) / Renato Carneiro / Xando / Renato Sprada - 1996 Big Balls gravação Mosh Estudios

                                
                                            Grace Lagôa / Nicinha / Xando / Renato Sprada  


                        Renato Sprada e Renato Carneiro show Pedra Feira da Pompéia 2006

sábado, 5 de setembro de 2020

My Love

Hoje assisti aquele filme Maudie, baseado na vida da Maud Lewis.
Lindo, todo mundo chora no fim. Mas sempre que vejo esses filmes de casais que passam a vida juntos sinto o quanto o amor só aumenta quando é real. Claro que as pessoas mudam com o tempo, claro que nem sempre é assim e tá limpo quando não é mas é muito legal que tenha sido assim aqui.
Estamos passando juntos essa vida e se houver outra... topo que seja juntos de novo.






quarta-feira, 11 de março de 2020

Comunicado Importante : Bogus Fake Pedra

NOVO COMUNICADO
Com Referência a banda que estava se utilizando inapropriadamente do nome Pedra gostaríamos de avisar que o caso foi resolvido amigavelmente.
Elogiamos aqui a atitude sensata por parte dos envolvidos evitando assim uma demanda judicial a qual já estávamos prontos a iniciar.
Pedra notoriamente e oficialmente é uma marca nossa e assim permanecerá.
Desejamos sorte em suas carreiras e novo nome.
Pedra: Xando Zupo / Rodrigo Hid / Luiz Domingues / Ivan Scartezini
Replicamos abaixo a última mensagem recebida mas omitiremos os dados do responsável:
"Boa noite, Xando!
Venho por meio deste informar que finalizamos agora nossa reunião e entramos com a instrução de exclusão da pagina do Facebook que ocorrerá dentro de 14 a 15 dias conforme regulamento da rede. A respeito do nome estamos restruturando toda nossa base de material digital e físico e não faremos mais o uso do termo PEDRA, pois entendemos que Pedra só existe uma, no caso vocês... Sendo assim, fica registrado mais uma vez nosso pedido de desculpas pelo mals entendido, informo que o nosso objetivo primário é 'colocar uma pedra nisso' rsrs de forma sensata e amigável, pois presamos pela ética, seriedade e transparência para com todos. Caso quiser pode me contactar diretamente através do numero: xxxxxxxxx. Estou à total disposição para qualquer esclarecimento... Enfim desejo-lhes boa sorte e que Deus abençoe a carreira de vcs amigos.
Att








terça-feira, 10 de março de 2020

Entrevista para o programa Guitar Heroes da MKK Web Radio.

Essa semana fui entrevistado pelos guitar chaps Marcello Fengler e Alexandre Bastos no programa Guitar Heroes da MKK WebRadio.
Foi um papo sobre música autoral, alguns dos meus trabalhos, música na noite, mercado e afins.
Segue abaixo o link com o programa que foi ao ar ontem com reprise nesse sábado mas pode ser ouvido "on demand"

PS - Eu acho que estou tomando muitos baldes de café antes de sair de casa pela manhã...vou rever isso. kkkk
Grato novamente pelo convite.
Play on, people.




Agora também postada em video da MKK WebRadio.





quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Faixa a Faixa nº 10 - Queimarás no Inferno

Faixa a faixa são posts onde falo um pouco das músicas que fiz na estrada. As mais queridas, as mais difíceis, as mais inspiradas...enfim as minhas mais mais, para quem quer saber um pouco mais e passa por aqui. Vou escrevendo conforme bater vontade...
Ao lado direito do site, nos "Marcadores" Faixa a Faixa, aparecem todos os postados. Só clicar e ver.

Queimarás no Inferno - (Zupo) - Single lançado em 2016

Queimarás no Inferno é a angústia do excluído, do sujeito que estorva, incomoda inconscientemente e por vezes intencionalmente, por vingança que creia justa, por rebeldia ou auto sabotagem e às vezes até por diversão. Por que não? Por que não enfiar o dedo na tomada? Por que não buscar uma dor maior para apagar uma que já o corrói? Por que não? Se pelo sim, pelo não...
Essa letra veio crescendo desde um momento dentro do Pedra em que eu vinha constantemente buscando aparar, em letras e arranjos, aquilo que para o novo álbum me soava rebuscado para o momento. A banda vinha de um álbum, Pedra II 2008, cheio de complexidades em termos de arranjos, gravações e produção (que eram perfeitas para aquele álbum e momento) e eu lutava internamente para tentar diminuir isso para um novo álbum mais crú e direto, para não nos repetirmos, estigmatizarmo-nos e ser algo mais rápido, direto ao ponto e menos estressante... Bem, foi mais cru, direto ao ponto mas não menos estressante, pelo contrário, o álbum se tornou uma saga de muitos anos, idas e vindas, porém considero nosso álbum mais maduro e creio que se houvéssemos sobrevivido talvez entrássemos finalmente no estágio e patamar artístico que eu sempre sonhei para a banda desde que a montei em fim de 2004.
A banda já havia lançado 5 singles em 2010 quando começamos um terceiro álbum porém ficamos separados durante um ano e meio entre 2011 e 2012 e esse terceiro álbum tomou forma e encontrou, creio eu, uma desculpa de ser e existir durante o conturbado ano de 2013 e seus protestos na rua, que pode-se dizer marcaram um início desse tempo tão conturbado que já nos trouxe até aqui (2019) tão tempestuosamente e sem vislumbre de calmaria próxima...talvez queimemos no inferno finalmente.
Enfim... juntamente a isso se iniciava em minha cabeça uma idéia de chamar meu antigo parça de Big Balls, de Bagus Plenus, de noites de cicuta, Paulo de Tharso (R.I.P.) para uma possível participação no álbum e Queimarás no Inferno era absolutamente a cara do Paulo. Ele era a própria descrição do sujeito da ação. Quando em descida era a própria velocidade da queda, assim como sua bipolaridade o jogava aos céus Dionisíacos na mesma intensidade.
A letra estava já praticamente pronta, ou pronta mesmo, quando nos falamos e combinamos que viesse ao estúdio para ouvir e possivelmente burilá-la com algum coelho que ele tiraria da cartola.
Ficamos combinados de que ele viria na próxima quarta feira. Infelizmente ele teve de furar pois havia recebido um texto que teria de decorar e combinamos para a próxima quarta feira, que nunca chegou. Paulo partiu na terça feira 14/05/2013, um dia antes de reatarmos nossa parceria e nunca ouviu Queimarás no Inferno.
Ficou um vácuo terrível e aquela eterna sensação de interrogação quando pessoas marcantes na nossa vida se vão. Tremenda porrada foi ler seu último post no facebook um dia antes de sua partida onde ele cita o texto que tinha de decorar e uma possível insegurança, "secarem as palavras" e uma esperança de semana "cheia de sílabas e suspiros". Nunca saberei se ele se referia a nosso encontro no dia seguinte no estúdio, que nunca aconteceu mas creio ou gosto de crer que era, afinal parece bem óbvio a mim. Sei que ele estava um tanto nervoso pois além de querer que dessa parceria nascesse algo no nível que gostaríamos, quem sabe se abriria no Pedra ao reativarmos nossa antiga parceria um possível novo canal para ele escoar novas músicas. Ele sabia que no próprio primeiro álbum do Pedra eu havia escrito a letra e finalizado duas músicas que havíamos tentado fazer em 2000 numa possível volta do Big Balls mas que ficaram sem letra. Tornaram-se "O Galo Já Cantou" e "Madalena do Rock'n Roll". E no próprio início do Pedra alguém veio falar comigo que havia encontrado o Paulo e perguntado sobre o Big Balls e ele havia dito que ele não estava e que agora se chamava Pedra. O Paulo tinha umas dessas, uma resposta meio de garoto machucado que queria estar no jogo, para no segundo seguinte falar Foda-se, vamos beber uma.
Sei que era importante para ele essa possível parceria e gravar uma faixa no álbum novo do Pedra. Naquele momento nem meus parceiros de banda eu acho que sabiam da minha intenção mas o Tharso estaria no Fuzuê! Tenho certeza que os "Pedra" o receberiam de braços abertos para essa faixa e orgulhosos de contar com sua participação.

Aqui seu último post público no facebook: 






  
  



Como gravar essa faixa após isso? Como gravar uma canção feita para seu parça cantar, chamada Queimarás no Inferno? Ainda que seja óbvio que nada tem a ver com o inferno bíblico, mas a força da palavra sempre nos dá na cara. Após sua partida? Cadê seu brother que iria interpretar isso com a verdade que corria nas veias do sujeito da oração? PQP! Como vc pôde morrer, man? Tá...Você vivia dizendo que iria morrer cedo e logo mas era mentira, carajo. Era cena, sempre era cena.
Durante um ano não olhei mais para a música até recomeçar a tentar colocá-la no álbum. Tentei cantá-la. Não funcionou. Tentei fazer Rodrigo Hid cantá-la (e PQP, Hid canta e interpreta maravilhosamente bem), não funcionou. Tenho quase certeza que fiz a Tata Martinelli gravar uma versão (Tata gravou backings maravilhosos no Fuzuê! e já fizemos vários trabalhos juntos, Uma das maiores cantoras da lida)..... a canção não nascia e não entrou no Fuzuê! Eu não podia gravá-la sem ter uma interpretação que me convencesse, que doesse a ponto de cutucar a ferida da letra e da dor da partida do parça.
A banda acabou. Eu estava totalmente esgotado após 10 anos de trabalho insessante. 3 álbuns gravados no meu Overdrive Estúdio, centenas de horas de ensaio, composição, gravação, filmagens, edição de shows, produção de cds, ininterruptamente 25 hs por dia trabalhando. Por mais obstinado que eu seja em nenhum outro momento da minha vida eu havia entrado em um círculo vicioso workaholic tão extenso e intenso e o que fiz assim que a banda acabou? Montei outra... Não sei se estava pronto, acho que não estava mas precisava. Precisava me provar ainda competente. Precisava acreditar que não tinha perdido a chama.
Precisava montar um show cru, direto ao ponto, como quis o Fuzuê!, precisava tocar um pouco das parcerias com o Paulo dos tempos do Big Balls, com a aspereza e pegada hard rock que tinham e assim o fiz. Um show no Sesc Belenzinho e um Live Sessions bem capturado com um time selecionado a dedo mas antes disso precisava lançar algo inédito; porque eu acho que tem sempre de lançar algo novo que justifique um show novo e é por isso que estou em entre safra agora. Tenho quase 70 músicas gravadas e poderia tentar fazer algum outro show mas quero recomeçar algo, viver no presente visitando o passado.
Queimarás no inferno estava lá, na gaveta, presa, trancada, frustrada e deve ter ela mesma soprado o nome de Fernando Janson nos meus ouvidos. Janson absolutamente nada tinha de parecido com o Paulo de Tharso, exceto em um ou dois traços da personalidade mas que eram cruciais para tentar trazer essa canção à vida. A intensidade, a dramaticidade e uma necessidade de fazer arte acima do ego, não desprovido dele porque ele alimenta também a vontade de fazer algo bem feito, mas a busca de algo que transcenda apenas uma faixa para ter a arrogância de querer ser uma obra. E dor, claro. Essa interpretação tinha de carregar essa dor embutida.
Talvez se o Paulo a tivesse gravado houvesse um elemento cafajeste nesse inferno. Ele zombaria em algum momento dessa angústia como uma defesa e porque enxeria o saco. Deu, vamos beber.
Mas havia um elemento entre essas duas interpretações. Um tempo chamado morte e tudo o que acontece na vida impregna o resultado.
Janson entrou no estúdio com Baco e vomitou o inferno. Em 30 segundos eu soube que finalmente Queimarás no Inferno nasceria. Após 3 anos ela nasceu. Janson personificou o estorvo que cria e os tiros nos pés.

Obrigado por isso, Janson.  
Obrigado por tudo, Paulo. Por me ensinar a tentar fazer algo que possa ter a arrogância de querer ser arte.
Flutue pelos céus meu amigo. Eu sempre quis escrever como você. Certas coisas são para poucos. Vc sempre será um dos raros.

Agora deu, vamos beber.

  




Queimarás no inferno - (Zupo) Outro sol se apaga, só se ouve o grito. Aquele eterno, não. Plana contra o vento a esperança aflita e débil beija o chão. É o estorvo que cria. São dois tiros nos pés. Um constrangimento à simples menção. E o isolamento não é mais solidão mas pelo sim pelo não, queimarás no inferno. Falha minha voz, não dá nenhum grito. Nem quer qualquer razão. É o estorvo que cria. São dois tiros nos pés Um constrangimento à simples menção. E o isolamento não é mais solidão mas pelo sim pelo não, queimarás no inferno. É o estorvo que cria. São os tiros nos pés Um constrangimento à simples menção. E o isolamento não é mais solidão mas pelo sim pelo não, queimarás no inferno.
Xando Zupo - Guitarra Fernando Janson - Vocal André Knobl - Sax Norton Lagoa - Baixo Ivan Scartezini - Bateria




Abaixo um pouco da história brevemente, corridamente e nervosamente contada durante o show.
É horrível ter de sintetizar algo em um lugar onde 10 segundos parecem meia hora, o palco.